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Restauro do Palacete das Rosas: patrimônio histórico de Curitiba

Entenda a importância do Restauro do Palacete das Rosas patrimônio na preservação da cultura e arquitetura de Curitiba.
Imagem do Palacete de Rosas Fonte: https://www.radiouniaodetoledo.com.br/noticia/6/450367/festval-inaugura-nova-unidade-em-curitiba-e-anuncia-mais-quatro-lojas-ate-o-fim-do-ano

Ah, o Palacete das Rosas…

Existem edifícios que atravessam o tempo como testemunhas silenciosas da história urbana. Suas paredes guardam modos de viver, técnicas construtivas e escolhas estéticas que revelam os valores de uma época.

Mais do que estruturas físicas, esses edifícios são registros vivos da memória coletiva de uma cidade.

Em Curitiba — marcada por intensas transformações ao longo do século XX — poucas construções residenciais desse período ainda resistem. Entre esses remanescentes está o Palacete das Rosas, localizado na Rua Bispo Dom José, no Batel.

Considerado Unidade de Interesse de Preservação, ele representa um dos últimos exemplares da arquitetura residencial de inspiração neoclássica na antiga Avenida Batel.

O Palacete das Rosas na história de Curitiba

No início do século XX, o Batel concentrava residências de alto padrão e palacetes pertencentes a famílias tradicionais da cidade. Era um dos endereços mais prestigiados de Curitiba — lotes amplos, jardins generosos, construções que dialogavam com referências arquitetônicas europeias.

Nesse contexto, o Palacete das Rosas foi construído em 1936.

A casa se destaca pela implantação ao alto do terreno — estratégia comum nas residências de prestígio da época, que valorizava a composição arquitetônica e reforçava a distinção social do imóvel.

Com o avanço da verticalização e a transformação do bairro em polo comercial, grande parte dessas residências foi demolida. O Palacete das Rosas sobrevive como um raro testemunho dessa fase da cidade.

Themis, a filha da Sra Rosa Lubrano Mendes(Proprietária), no jardim da casa, ainda existente, na Rua Bispo Dom José, Batel. Final da década de 1930.
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Themis, a filha da Sra Rosa Lubrano Mendes(Proprietária), no jardim da casa, ainda existente, na Rua Bispo Dom José, Batel. Final da década de 1930.

Por que esse edifício é tão singular

Além da volumetria e da linguagem arquitetônica, o palacete impressiona pela riqueza de técnicas construtivas e artísticas preservadas em seu interior:

  • forros decorados em estuque, 
  • pisos em mosaico de madeira, 
  • esquadrias artesanais,
  • ornamentos de fachada,
  • pinturas murais decorativas.
Imagem de partes arquitetônicas do Palacete

Esse conjunto transforma o edifício em um verdadeiro catálogo das técnicas artísticas do início do século XX. E preservar isso importa — não apenas esteticamente, mas para compreender como os modos de morar e os repertórios estéticos foram moldando a paisagem urbana de Curitiba.

Restauro, reforma e retrofit: o que muda na prática?

Em edifícios antigos, os termos reforma, retrofit e restauro são frequentemente utilizados como sinônimos. No entanto, cada um representa uma abordagem distinta de intervenção.

Reforma e retrofit não são específicos para bens tombados.

A reforma busca adaptar o espaço às necessidades contemporâneas, priorizando funcionalidade e atualização estética. Alterações significativas na configuração do imóvel são comuns nesse tipo de obra.

O retrofit tem foco na modernização da infraestrutura e dos sistemas prediais, como instalações elétricas, hidráulicas e desempenho térmico. Em geral, preserva parte da aparência original, mas admite transformações mais profundas.

O restauro, por sua vez, tem como compromisso a preservação da autenticidade do bem cultural. As intervenções são orientadas por pesquisa histórica, análise material e critérios técnicos de conservação.

No caso do Palacete das Rosas, sua classificação como Unidade de Interesse de Preservação (UIP) exigia que qualquer intervenção respeitasse a integridade arquitetônica e histórica do edifício.

Por essa razão, o caminho adotado foi o do RESTAURO.

Imagem do começo da restauração do Palacete

Compreender antes de intervir

Diferentemente das obras novas, o restauro começa muito antes do canteiro de obras.

Cada edifício histórico apresenta uma combinação única de materiais, intervenções anteriores e processos de degradação acumulados ao longo do tempo. No Palacete das Rosas, o processo inicial envolveu o levantamento detalhado das técnicas construtivas e artísticas presentes no edifício, além da identificação das patologias decorrentes do envelhecimento natural dos materiais e do período em que o imóvel permaneceu fechado.

Essa etapa é insubstituível. Sem ela, qualquer intervenção é um chute no escuro.

A complexidade técnica de um restauro

A diversidade de materiais presentes no palacete exigiu uma abordagem multidisciplinar.

O trabalho envolveu especialistas em diferentes áreas da conservação, incluindo:

  • fachadas ornamentadas
  • conservação de madeira (escadaria, pisos em marchetaria, forros e esquadrias)
  • forros de estuque decorativos
  • pinturas parietais
  • elementos pétreos ornamentais
  • sistemas de cobertura

Cada técnica construtiva possui processos específicos de degradação e, portanto, exige estratégias próprias de conservação.

O impacto na paisagem urbana

Preservar edifícios históricos não é apenas uma questão estética ou cultural. Em bairros que passaram por transformações intensas, como o Batel, a permanência dessas construções mantém referências visuais e narrativas que ajudam a compreender a evolução da cidade.

A reativação do Palacete das Rosas reforça essa dimensão. Ao recuperar sua integridade arquitetônica e artística, o edifício volta a ocupar um papel relevante na paisagem urbana e na memória coletiva de Curitiba.

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Preservar o passado para construir o futuro

Edifícios históricos não são vestígios do passado. Eles continuam participando da vida urbana e ajudam a construir a identidade das cidades.

Restaurar significa reconhecer esse valor — e garantir que essas arquiteturas continuem presentes na paisagem e na memória coletiva. O restauro do Palacete das Rosas mostra como intervenções cuidadosas podem preservar a autenticidade de um edifício histórico e, ao mesmo tempo, permitir sua continuidade de uso.

Imagem da lateral do projeto do Palacete de Rosas

Preservar patrimônio é um compromisso com o futuro das cidades. 

Sobre a consultoria técnica

O restauro do Palacete das Rosas contou com a consultoria técnica da arquiteta Ana Luísa Furquim, especialista em conservação e restauro do patrimônio arquitetônico. Com mais de duas décadas de atuação, seu trabalho integra pesquisa acadêmica, investigação material e experiência prática em obras de restauro.

Nesse projeto, a atuação esteve voltada à análise das técnicas construtivas e artísticas do edifício — contribuindo para orientar as decisões técnicas durante a execução e garantir que as intervenções respeitassem a integridade histórica e material da construção.

Se você tem um bem histórico e não sabe por onde começar, o escritório Ana Luísa Furquim oferece consultoria técnica especializada para orientar decisões e garantir intervenções compatíveis com a integridade do patrimônio.

Ana Luísa Furquim

Arquiteta pela PUC PR, com mais de 20 anos de atuação em restauro, é Doutora pela FAUUSP, Mestre pela UFSC e Especialista pela Università di Ferrara

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